PALAVRA DO PRESIDENTE               

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Prezados Associados da ASHRAE – Chapter Brasil

É com grande satisfação que estamos publicando o 2º Newsletter desta gestão do Chapter Brasil da ASHRAE. Nesse período a visita do Presidente da ASHRAE, Mr. Williom Harrison, durante o Congresso do MERCOFRIO em Curitiba foi muito importante para nós. A presença do dirigente máximo da Associação só vem fortalecer o Chapter Brasil na América do Sul.

Queremos registrar também o trabalho de tradução do Manual de Fundamentos, principal objetivo da gestão 2008-2009. Dos 35 capítulos já temos 90% pronto e o restante em final de tradução. A previsão de término deste trabalho será março/09.

Aproveitando a oportunidade, lembramos uma vez mais que quem tiver algum artigo técnico que gostaria que fosse publicado no nosso Newsletter, por favor entre em contato com o nosso editor, Eng. Gastão.

Como estamos nos aproximando das festividades de final de ano, aproveitamos para desejar a todos os associados um próspero 2009.

Um grande abraço

 

Marcos Domingues Pinto

Presidente – 2008-2009

CHAPTER BRASIL – ASHRAE.

 

 

NOTÍCIAS

 

PETROBRÁS SAI NA FRENTE

 

O prédio onde está o centro de treinamento da Petrobrás na Cidade Nova (Rio) foi credenciado como prédio verde, recebendo o selo do USBBC.

Este tema já havia sido discutido no Clima Rio, e toma mais importância dia a dia, sendo a ASHRAE a principal referencia das normas utilizadas que são o Std 90, o Std 62 e o Std 55.

O Engsº Oswaldo Bueno e Edson Tito fizeram apresentações sobre este tema durante o Clima Rio - 2008.

 

 

VISITA PRESIDENCIAL

 

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Durante a realização do MERCOFRIO em Curitiba, contamos com a visita do Presidente da ASHRAE Mr. William Harrison, que deu mais prestígio ao evento, bem como enfatiza a importância do Chapter Brasil na América do Sul.

 

 

 

NEWSLETTER ARGENTINA

 

Acusamos recebimento do Newsletter do Chapter ARGENTINA, agradecemos a nostros hermanos e los saudamos.

Mucha gracias.

 

ANIVERSARIANTES DO MÊS DE OUTUBRO


Carlos M Kayano

Cesar Ramon Antonio Romera

Claudio K Misumi

Ednaldo V Gonzaga

Fabio M Korndoerfer

Flavio Soncine

Francisco de Assis Ribeiro Dantas

Giovanni Bernardini

João Carlos V Nogueira

Mauricio P Martins

Ricardo A.Rodovalho Suppion

Roberto Lamberts

Roberto Pereira

Tiago José Bulla

Walter Affonso, Jr

 

 

ANIVERSARIANTES DO MÊS DE NOVEMBRO

Carlos Alberto Hatada

Carlos Jose Castro Gonzalez

Celso C Simões-Alexandre

Danilo Barata W Genofre

Gherhardt Ribatski

Jose C Alfredo

Marco Adolph

Nelson B Rodrigues

Paulo O Beyer

Pericles Silva

Sergio L Braga

Wili C Hoffmann

 

ANIVERSARIANTES DO MÊS DE DEZEMBRO

Antonio Claudio M Palma

Antonio Luis C Mariani

Fernando J Pereira

George Raulino

Jose Carlos Felamingo

Jose R Rocamora

Mario Sergio Pintos de Almeida

Mauricio Barros

Roberto Pereira

Rodrigo Vilas Boas Victor

Samir Pinheiro Hernandez

Sidney Azevedo De Oliveira

 

A todos desejamos felicidades, saúde e prosperidade

 

 

NOVOS SÓCIOS

 

Continua a Campanha para adesão de novos sócios.

Conclamamos a todos a indicarem novos membros para CHAPTER BRASIL.

Aqueles que desejarem indicar algum companheiro de profissão favor entrar em contato com os seguintes membros:

Em São Paulo:

Oswaldo Bueno –         oswaldo@bueno.eng.br

Antonio L.C. Mariani –   camposmariani@gmail.com

 

No Rio de Janeiro:

Marcelo de R. Matta –   marcelo@tecal.com.br

João Carlos Nogueira –            jcarlos@dataclima.com.br

Álvaro César –              alvarocesar@tepco.com.br

Edison Tito Guimarães – etguima@datum.com.br

Marcos Domingues –    mdpinto@gmail.com

 

Lembramos que estudantes tem uma anuidade de US$ 16,00, menor que a de membro já diplomado.

Vamos colocar nossos alunos e/ou estagiários como membros, é importante para o futuro do HVAC.

 

 

A PERSONALIDADE DO MÊS


Nossa personalidade deste mês é o outro homenageado na posse do nosso  Presidente.

Trata-se do Engº Dr. .Luis Felipe Nevares de Carvalho, Diretor da SOMAX TECNOLOGIA ACÚSTICA Ltda, o qual fomos entrevistar.

 

P - Dr. Felipe, o Sr. é Engenheiro Nuclear porque essa paixão por HVAC? Como surgiu a sua primeira empresa a HIGROTEC? E Por que esse nome?

 

R - Depois de formado em Engenharia Nuclear dediquei-me a estudar a transferência de calor nos reatores porque este era o ponto critico para se melhorar a eficiência global do sistema. A Termodinâmica sempre me fascinou. Quando a política com a qual eu não concordava implantou-se na Comissão Nacional de Energia Nuclear, entendi que não me realizaria neste setor, pois ele se tornava por demais politizado. Nesse tempo, recebi vários convites para projetos na área térmica em especial, na área de transferência de massa, projetos de desumidificadores e umidificadores. Do calor sensível para o latente foi um pulo. Eu e mais 4 (quatro) Engenheiros organizamos a Higrotec, cujo prefixo Higro significa umidade em grego.

 

P - No início das atividades da Higrotec, a empresa fazia projeto, fabricava equipamentos e instalava. Não havia a separação por Grupos, posteriormente criada pela ABRAVA,. Uma das obras inicias da Higrotec foi a instalação de um Sistema de HVAC numa agência do BANERJ em S. Cristovão. Houve algo de pitoresco nessa instalação?

 

R - Bem, não havia tantos projetos de Controle de Umidade como gostaríamos, então, passamos também a projetar Sistemas de Climatização. Como nossa Fábrica era bem pequena e com poucos recursos, quando vez por outra éramos solicitados a não só fornecer projeto, mas quando o Cliente pedia uma instalação “turn key” nós utilizávamos o Climatizador, fabricado pela Seomac, fabricávamos os dutos, comprávamos as grelhas e difusores e efetuávamos a instalação e o comissionamento. É bom lembrar que um dos sócios da Seomac era o nosso amigo Wagner Otelo, que muito nos ajudou nesse início.

O caso do Banerj de São Cristóvão foi muito engraçado porque eu recebi um telefonema de um grande amigo que trabalhava na Revista “O Cruzeiro” parabenizando a Higrotec pela obra cujo objetivo certamente seria climatizar todo o Bairro de Santo Cristo. Inclusive, ele me disse que nós estávamos desbancando o Governador Carlos Lacerda que apregoava o Sistema de abastecimento de água do Guandu como a obra do Século. Isto se deveu ao fato de que nosso Mestre tendo ficado adoentado faltou alguns dias de trabalho e deixou instruções com o Oficial, que não entendendo muito de Climatização colocou os “aerofuses” voltados para o exterior! Claro que isto logo foi corrigido, mas a brincadeira do meu amigo ficou na minha memória para sempre.

P- Foi a Higrotec quem trouxe para o Brasil os Desumidificadores da Cargocaire , como surgiu ou aconteceu esse envolvimento com a Cargocaire?

 

R - A Higrotec trouxe para o Brasil os Desumidificadores da Cargocaire por causa de um ato de honestidade e humildade intelectual que praticamos por ocasião de uma concorrência na Ishikawajima. Nesta ocasião, o Brasil passava por um período de industrialização muito intenso onde uma grande ênfase era dada na substituição de importações. A Comissão da Marinha Mercante dentro da política vigente, colocou na lista de equipamentos a serem nacionalizados os Desumidificadores dos Porões de Carga dos Navios em construção no Brasil. Fomos convidados a participar da Concorrência e respondemos que nossa Empresa ainda não estava preparada para um fornecimento dessa monta, tampouco com as rigorosas especificações navais das Sociedades Classificadoras. Agradecemos o convite mas declinamos dele. Pouco tempo depois os diretores da Cargocaire vieram ao Brasil na procura de um parceiro que pudesse, pelo menos, fabricar parcialmente seus sistemas. Foram inicialmente ao Arsenal de Marinha, que nos indicaram como sendo uma firma pequena, mas com um potencial de Engenharia razoável. Neste tempo, atuávamos, na firma eu, Engº Comandante Castelo Branco, Engº Henrique Moura Costa e o Engº Renato Castro Santos. Após a visita ao Arsenal, os Americanos visitaram a Ishiwakajima que relatou o episódio onde nós declinamos de apresentar proposta pela insuficiência de experiência no setor. Isto foi interpretado pelos americanos como uma demonstração de honestidade, o que muito os impressionou. Nos procuraram em 1966 e assim aconteceu o envolvimento com a Cargocaire.

 

P - Os primeiros Desumidificadores foram aplicados em porões de navios cargueiros (Multipurpose Ship),mas também existem outras instalações em Ind. Farmacêutica, Química, Petro-Química, a seu ver, mesmo considerando que todas são importantes, qual a que tem o maior significado para a empresa?


R - No início dos anos 1966 a 1972 as aplicações principais foram as de Controle da Umidade dos Porões de Carga dos Navios, mas não deixamos de prospectar e obter Contratos com a Indústria Farmacêutica, Química e Petroquímica.

Com o aparecimento do transporte de carga através de containers, os porões desumidificados foram praticamente esquecidos e o mercado a partir dessa data até hoje passou a ser relevante nas áreas da Indústria Civil.

 

P - Em 1969 eu gerenciei a montagem de uma linha de produção de garrafas térmicas onde, no projeto americano, constava a especificação de Ventiladores Chicago Blower, mas foram substituídos por de outra marca,  pois, naquela época os Chicago Blowers ainda não eram produzidos  aqui. Quando e como a Higrotec passou a ter a licença de produção da Chicago?

 

R - A licença da Chicago Blower chegou a Higrotec também através dos desumidificadores Cargocaire. Tentamos usar ventiladores produzidos no Brasil nos primeiros desumidificadores aqui fabricados, mas sem êxito quanto a confiabilidade dos mesmos que nunca estavam de acordo com as especificações fornecidas pelos fabricantes. Após inúmeras tentativas contactamos a Cargocaire, que nos informou que lá eles utilizavam os ventiladores Chicago Blower por confiarem no produto. Prontificaram-se a nos apresentar a Chicago Blower no sentido de que obtivéssemos uma licença de fabricação dos ventiladores necessários ao sistema. Foi feito o contacto com êxito e nos tornamos licenciados da Chicago Blower em 1970.  

 

P  O primeiro ventilador axial de passo ajustável no Brasil também foi lançamento da Higrotec. O Sr se recorda e pode nos contar em que obra isso aconteceu e como ele foi montado?

 

R - A licença da Chicago Blower chegou a Higrotec também através dos desumidificadores Cargocaire. Tentamos usar ventiladores produzidos no Brasil nos primeiros desumidificadores aqui fabricados, mas sem êxito quanto a confiabilidade dos mesmos que nunca estavam de acordo com as especificações fornecidas pelos fabricantes. Após inúmeras tentativas contactamos a Cargocaire, que nos informou que lá eles utilizavam os ventiladores Chicago Blower por confiarem no produto. Prontificaram-se a nos apresentar a Chicago Blower no sentido de que obtivéssemos uma licença de fabricação dos ventiladores necessários ao sistema. Foi feito o contacto com êxito e nos tornamos licenciados da Chicago Blower em 1970.

 

P - O primeiro ventilador axial de passo ajustável no Brasil também foi lançamento da Higrotec. O Sr se recorda e pode nos contar em que obra isso aconteceu e como ele foi montado?

 

R -Havíamos competido e ganhado a concorrência para a nova Fábrica da Fiat em Betim, estado de Minas Gerais. Nossa proposta era de ventiladores de passo fixo, vane axiais, Desenho 34. Bastante robusto este ventilador, contudo, não era suficientemente flexível para condições variáveis de vazão e pressão. As cabines de pintura da Fiat tinham um critério extremamente rigoroso de velocidade de passagem do ar, para que nenhum resíduo de tinta se depositasse nos vidros da cabine cortando a visão do pintor com o exterior. As cabines necessitavam de correções de vazão e pressão específicas em cada uma delas para evitar o depósito de tinta. Não era possível fazer isso utilizando os ventiladores de passo fixo. Contatamos a Chicago Blower sobre o problema solicitando uma solução razoavelmente econômica. O diretor internacional, John Lambert, sugeriu que experimentássemos um novo rotor ainda em desenvolvimento que permitia ajuste do passo das pás, possibilitando variações no fluxo e na pressão. Ainda não existiam desenhos definitivos tampouco especificações finais deste novo Ventilador que viria a se denominar Desenho 47. Após algumas negociações resolvemos importar em caráter de emergência um rotor experimental de um tamanho próximo ao tamanho utilizado na Fiat e, com base nesse Rotor desenvolver outros rotores que se adequassem às condições necessárias. Assim foi feito e após um grande trabalho conseguimos produzir rotores que se ajustassem às condições da Fiat. Assim, surgiram os primeiros Desenhos 47 experimentais produzidos para fins comerciais, antes mesmo de terem sido produzidos nos Estados Unidos.

 

P - O Sr. também fundou a Somax Tecnologia Acústica. Porque e como surgiu esse interesse de montar uma empresa de acústica e vibração? Tem alguma ligação com ventiladores? É um produto puxando outro?

 

R - Desde 1970 procurávamos uma Empresa de reputação internacional capacitada a nos fornecer licenciamento de fabricação na área de atenuadores de ruído e controle de vibração para ventiladores. A Chicago Blower na ocasião tinha um licenciado em Singapura, que também era licenciado da Salex Group da Inglaterra nessa linha de atenuadores de ruído e vibração. Fizemos contacto com a Empresa principal do Grupo que era a Sound Attennuators Ltd (England) e após um período de gestação extremamente longo cerca de 8 anos chegamos a um acordo de licenciamento de seus produtos para o Brasil. Junto com atenuadores de ruído retangulares assimétricos e circulares, bem como amortecedores de vibração a licença incluía Portas Acústicas, Enclausuramentos Acústicos, Venezianas Acústicas, enfim, toda uma linha de Controle de Ruído. Sem dúvida, foi um produto puxando o outro.


P - Para finalizar, o Sr. que sempre apoiou, ajudou e estimulou todos que consigo trabalham e trabalharam, poderia dar um conselho aos jovens engenheiros de HVAC. que hoje estão se iniciando na carreira?

 

R - A carreira de Engenheiro obriga aos que desejam ter êxito um estudo e atualização permanente em suas áreas de trabalho. Aconselho aos jovens engenheiros que procurem cursos de extensão universitária, se não mesmo de mestrado em Universidades conceituadas. A pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos deve ser um requisito importante na escolha da empresa que o jovem engenheiro deve procurar. Em resumo, a busca do conhecimento deve ser incessante.

 

P - Ainda lhe explorando mais um pouquinho, a Diretoria do Chapter Brasil da ASHRAE gostaria de saber quais, na sua opinião seriam as ações mais importantes que poderiam contribuir para o crescimento do Chapter.

 

R - Para o crescimento do Chapter Brasil, sugiro que devemos também procurar angariar jovens no 4º e 5º ano de suas Escolas de Engenharia promovendo cursos e palestras nas Universidades mais conceituadas sobre assuntos específicos de interesse direto na formação do Engenheiro. Se possível, subsidiar bolsas específicas de teses, seja de bacharelado, seja de mestrado em assuntos atuais. Tais bolsas devem ser parciais e não representam um dispêndio substancial do Chapter, mas geram um subproduto de prestígio e disseminação muito grande do nome da nossa Sociedade. Resumindo, crescer com os jovens para garantir o futuro.

 

Eu gostaria de agradecer a sua paciência, o tempo que o Sr  dedicou a esta entrevista, e também manifestar de público meu apreço , carinho e respeito que lhe tenho  agradecendo por todas as vezes que me estimulou, me apoiou, me incentivou a ler , estudar e transmitir aquilo que se aprende. Muito obrigado e minha eterna gratidão.

 

Gastão Fernando Reis Martins , Engº Ind. Mec.

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